Família acredita que Mayc foi forçado a confessar ter matado engenheiro

Família acredita que Mayc foi forçado a confessar ter matado engenheiro

O vigilante Carlos Alan Parede, 43, irmão mais velho lutador de MMA Mayc Vinicius Teixeira Parede, 37, ainda está tentando entender o que levou o irmão a confessar à polícia ser o autor da morte do engenheiro Flávio Rodrigues. “Para mim ele foi obrigado a fazer isso para preservar a família, ou alguém. Quem conhece o meu irmão sabe que ele é incapaz de fazer o mal para alguém”, disse o vigilante.

Para Alan, Mayc podia estar blefando quando confessou à polícia ser o assassino do engenheiro Flávio Rodrigues, morto a facadas no dia 29 do mês passado, depois de uma festa na casa do enteado do prefeito Arthur Neto, Alejandro Valeiko, no condomínio Passaredo, bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus.

Alan disse que já esteve com Mayc depois de ele estar preso e que, quando perguntou ao irmão o que o levou a confessar o crime do engenheiro, o lutador apenas chorou muito e não falou nada. O irmão aponta fatos que estão acontecendo que, segundo ele, fortificam a suspeita de que Mayc assumiu um crime que ele não cometeu.

Sobre a transferência do suspeito da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) para o Centro de Detenção Provisório Masculino (CDPM), Alan disse acreditar que o irmão não queria.

O vigilante disse ainda que a família não acredita que as duas cartas que chegaram para eles como sendo enviadas por Mayc sejam dele, porque as assinaturas são diferentes. De acordo com ele, os contatos com o irmão foram poucos.

“Nós não sabemos de quase nada, como os motivos que levaram a transferência, assim como quem está pagando o advogado (Josimar Berçout) que está fazendo a defesa dele, para mim ele disse só que era um amigo”, disse o irmão. De acordo com Alan, a família é humilde e não tem recursos para bancar as despesas de um advogado.

Alan contou que Mayc é o penúltimo de uma família de cinco irmãos, filhos de um pedreiro e de uma dona de casa. A família começou no bairro do Japiim, depois se mudou para o bairro do Mauazinho, na Zona Leste, onde foram criados. “Mayc era diferente da gente, sempre interessado em estudar e chegou concluir o ensino médio”, descreveu.

De acordo com o irmão, o lutador de MMA entrou para o Exército, onde ficou dez anos e saiu como 3º sargento. Casou e foi morar no bairro Cidade de Deus, uma casa de alvenaria simples com dois cômodos. O casal teve dois filhos gêmeos e, depois de um tempo, acabaram se separando.

Mayc sempre trabalhou para dar o melhor para os filhos, conforme o irmão. Ele trabalhava como segurança, agente de portaria e também dava aulas de Jiu-Jítsu em academias. Atualmente estava trabalhando como agente de portaria em uma escola municipal, que ele não soube informar o endereço.

Conforme Alan e os irmãos passaram a viver longe um do outro morando em bairros diferentes, mas nunca deixaram de se falar. “As vezes ele chega a ligar pra gente mais de uma vez no dia. Por isso eu digo que o meu irmão não fez isso, ele é inimigo da violência”, afirmou Alan.

Conforme o vigilante, a família toda está abalada com a situação. A mãe Maria do Perpetuo Socorro Parede demonstra tranqüilidade, já o pai está abalado assim como os irmãos, aguardando o desenrolar das investigações.

Desconfiança

A confissão do lutador Mayc Parede não convenceu apenas a própria família, como também gera desconfiança de familiares de Flávio Rodrigues, vizinhos, colegas da academia onde ele era treinador e da polícia, que busca provas para que o verdadeiro assassino apareça.

Na noite de segunda-feira, familiares de Flávio foram a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) onde Elizabeth Valeiko, mãe de Alejandro, prestava depoimento. Com faixas e cartazes, na saída de Elizabeth, familiares do engenheiro gritavam “queremos a verdade, queremos a verdade”.

Na quarta-feira (23), a irmã de Flávio, Aline Rodrigues, disse que ainda não há convencimento. “Se nem a polícia está acreditando que ele é o assassino, imaginem nós. Estamos esperando a conclusão das investigações”, disse Aline.

Para o industriário Gleison dos Santos, 47, morador do bairro Cidade de Deus, Mayc não está falando a verdade.  “Ele treinava a gente na academia, é uma pessoa super do bem e jamais tiraria a vida de uma pessoa”, disse.  O jovem disse que não consegue imaginar o motivo que levou o lutador a assumir o crime.

A dona de casa Ângela do Nascimento é vizinha do lutador e disse que não acredita que ele tenha matado o engenheiro. “Conheço ele há mais de um ano, e ele é uma pessoa do bem”, pontuou ela.“Para mim ele era uma pessoa que vivia para o trabalho, não tinha muitas amizades. Às vezes quando chegava do trabalho com fome perguntava se eu não tinha um caldinho para dar para ele. Eu não acredito no que aconteceu”, acrescentou.

Outra vizinha de Mayc, Mara Costa, 35 anos, disse que conhece o lutador desde quando ela tinha 14 anos. Para ela ele sempre foi uma pessoa tranqüila, que trabalha e vive para os filhos, dois meninos de 15 anos de idade. “Ele chegava do trabalho, pegava os filhos e iam juntos para a academia. Quando soube que ele tinha assumido o crime achei que era apenas uma brincadeira”, disse.

Sem detalhes

Em seu depoimento prestado à Polícia Civil, Mayc confessa ser o autor do crime, sem explicar detalhes de com matou o engenheiro Flávio. Ele contou também que é amigo do sargento Elizeu Paz, também preso, pelo crime, há mais de 20 anos e contou ainda que deve vender um terreno que possui para pagar os honorários do advogado que está fazendo a sua defesa.

Mayc Parede assume ter matado engenheiro Flávio Rodrigues

Mayc Parede assume ter matado engenheiro Flávio Rodrigues

O lutador de MMA Mayc Vinicius Teixeira Parede assumiu ter matado o engenheiro Flávio Rodrigues dos Santos, morte ocorrida no dia 29 do mês passado, mas não convenceu porque, de acordo com titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Paulo Martins, os depoimentos dos seis envolvidos no crime são contraditórios.

“Mayc disse que encontrou a vítima só de cueca na casa e o sargento Paz já disse que ele estava vestido. São coisas assim que deixam muitas dúvidas e precisam ser esclarecidas”, disse o delegado.

Em depoimento prestado na última sexta-feira, o policial militar Elizeu da Paz de Souza já apontava e seu colega Mayc como o responsável pela morte do engenheiro.  Por sua vez, Alejandro Molina Valeiko, enteado do prefeito Arthur Neto, levantou suspeitas de que Paz seria o responsável pela morte de Flávio.

Valeiko disse ter visto o policial arrastando Flávio pelos braços tendo uma arma de fogo na cintura e disse acreditar que o sargento é capaz de matar uma pessoa.

Já Paz disse que, no dia do crime, Mayc colocou Flávio no banco de traz do carro modelo Corolla  e que os dois saíram do condomínio com ele. Na Avenida do Turismo, próximo ao Condomínio Vila Suíça, Mayc e Flávio saíram do carro andando indo um pouco mais distante e que minutos depois o colega retornou para o veículo já sem o engenheiro, que mais tarde foi encontrado morto nas proximidades.

A trama, de acordo com as investigações policiais, está perto de ser desvendada e poderá haver uma reviravolta no caso. Além de depoimentos dos supostos envolvidos, a polícia trabalha com provas técnicas que foram produzidas pela perícia, cujo resultado poderá contrariar o testemunho dos envolvidos.

Exames de DNA de amostras de sangue encontradas na casa 3.269 da rua Carlota Bonfim, do condomínio Passaredo, bairro Tarumã, onde Alejandro mora, na no carro Corolla de cor prata locado para a Casa Militar da Prefeitura no qual Flávio foi levado, vivo ou morto, poderão mostrar o local exato onde ele foi assassinado.

O sargento Paz disse em depoimento que exerce a função na Casa Militar de assessor técnico, mas que exerce também a função de segurança e assessor pessoal do prefeito Artur Neto e da primeira-dama Elizabeth Valeiko e que em algumas vezes ia à casa de Alejandro para levar alimentos e verificar se as coisas estavam bem por lá.

 O PM disse ainda que, pelo fato de Alejandro ser usuário de drogas, sempre era chamado pelo cozinheiro Vitório Del Gato, pois havia proocupação de acontecer alguma coisa com Alejandro, pois este costumava levar pessoas estranhas para a sua casa.

No dia do ocorrido, de acordo com o depoimento de Paz, ele foi por conta própria verificar como estavam as coisas na casa de Alejandro e, quando parou em frente ao imóve,l verificou que havia pessoas estranhas no local e que resolveu dar um susto em no filho do patrão. “Peguei uma bala clava que estava no carro e chamei o Mayc e entramos na casa”, disse o militar.

Paz disse que foi direto a Alejandro e deu-lhe duas coronhadas e quando olhou para traz viu sangue e gritou para Mayc pedindo calma. Um dos que estavam presente saiu correndo enquanto Mayc imobilizava o engenheiro Flávio e o levava em direção ao Corolla, estacionado na frente da casa. O PM disse não ter visto se o colega estava armado com uma faca e se o mesmo retornou para o carro com a roupa suja de sangue.

Quanto ao seu telefone celular, inicialmente ele disse que havia perdido e depois se retratou dizendo que preferia se manter em silêncio. O militar se negou a responder algumas perguntas feitas pela delegada Marília, assim como de fornecer material biológico para exame de DNA. No final, Elizeu Paz pediu perdão à família da vítima e disse se arrepender amargamente de nada ter feito para evitar o ocorrido.

Conheceu Flávio naquele dia, diz Alejandro

O engenheiro Flávio Rodrigues dos Santos, 42, foi  encontrado morto após uma festa na casa de Alejandro, onde  costumava ir com frequência, conforme depoimento  prestado à polícia um agente de portaria do condomínio Passaredo. O depoimento contraria  o que vêm dizendo os demais envolvidos no caso, que alegam tê-lo visto pela primeira vez.

Em depoimento na sede do 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), entretanto, Alejandro disse não saber o nome da vítima, pois os dois teriam se conhecido momentos antes em uma festa.

Alejandro compareceu à delegacia na segunda-feira, mesmo dia em que o corpo de Flávio foi encontrado. Na noite anterior ao crime, Flávio estava na residência de Alejandro, junto a Elielton Magno e José Edvandro, após deixar uma festa com o grupo.

Sobre a noite do crime, Alejandro disse à polícia que estava com o grupo na sala de casa, mas que não sabia o nome de nenhum dos presentes, pois os conheceu no mesmo dia. Na ocasião, ele conta que a casa foi invadida por dois indivíduos armados. Um deles teria desferido uma facada nas costas de um dos colegas e, depois, dois deles foram sequestrados do local.