Esquerda não quer resolver o caso Marielle, diz Bolsonaro

Esquerda não quer resolver o caso Marielle, diz Bolsonaro

A investigação sobre o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) voltou a ganhar as manchetes dos jornais brasileiros após o porteiro do condomínio Vivendas da Barra, na zona oeste do Rio de Janeiro, admitir que forneceu informações erradas em depoimento à Polícia Civil, nos dias 7 e 9 de outubro.

Durante depoimento à PF, nesta quarta-feira (20), o porteiro admitiu que errou ao dizer que havia falado com o “Seu Jair” no dia do assassinato e que se equivocou ao anotar o número 58, referente ao domicílio do presidente da República, Jair Bolsonaro, no registro do condomínio.

Ao deixar o Palácio da Alvorada, em Brasília, nesta quinta-feira (21) questionado por um jornalista sobre o recuo do porteiro, Bolsonaro respondeu em tom irônico:

“Agora é o Carlos Bolsonaro que é o responsável. O que os caras querem? Ligar minha família ao caso Marielle?”

De acordo com o colunista Kennedy Alencar, da Rádio CBN, propriedade do Grupo Globo, nos bastidores das linhas de investigação sobre o caso Marielle, comenta-se o envolvimento do vereador Carlos Bolsonaro no caso.

Apesar de o jornalista não ter apresentado evidências, o rumor levantado por ele começou a circular intensamente nas redes sociais, alcançando até os trending topics do Twitter.

Ainda durante a conversa com jornalistas, na manhã de hoje, o chefe do Executivo acrescentou:

“Qual a intenção? Eu, por exemplo, alguém me viu alguma vez conversando com a Marielle?”

Bolsonaro ainda retrucou:

“Parece que para a esquerda não interessa resolver o caso Marielle, interessa continuar usando a morte dela em causa própria.”

Bolsonaro rebate pedido do PT para investigação por obstrução

Bolsonaro rebate pedido do PT para investigação por obstrução

O presidente da República, Jair Bolsonaro, rebateu, nesta terça-feira (5), pedido do Partido dos Trabalhadores (PT) para que o Supremo Tribunal Federal (STF) o investigue pela prática de obstrução à Justiça.

Os petistas criticaram o fato do vereador Carlos Bolsonaro(PSC-RJ), filho do presidente, ter acessado a memória da secretária eletrônica do condomínio Vivendas da Barra, onde mora no Rio de Janeiro.

No documento, o PT argumenta que o chefe do Executivo “de modo autoritário e com uso da força (do seu cargo) se apropria se provas que podem, em tese, incriminar a si ou seus familiares” na investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Em postagem no Twitter, o presidente Bolsonaro se refere aos apelidos do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), senador Humberto Costa (PT-PE) e deputada Gleisi Hoffmann(PT-PR) nas planilhas da empreiteira Odebrecht.

“Esses petistas foram delatados na Lava-Jato com seus respectivos codinomes: Rato/Montanha, Vampirão e Amante. Agora entram na Justiça pelo fato de eu, como morador, ter acessado a secretária eletrônica do meu condomínio”, disse o presidente.

‘Ninguém quer adulterar nada’, diz Bolsonaro sobre caso Marielle

‘Ninguém quer adulterar nada’, diz Bolsonaro sobre caso Marielle

O presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou, neste domingo (3), que “não quer adulterar nada” do que foi registrado na portaria do condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro, onde possui uma residência.

Bolsonaro acrescentou que é “má-fé ou falta de caráter” acusá-lo de manipular as investigações sobre o caso da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes.

Em uma rápida entrevista na saída de uma partida de futebol no Estádio Bezerrão, em Brasília, Bolsonaro declarou:

“O que eu fiz foi filmar a secretária eletrônica com a respectiva voz de quem atendeu o telefone. Só isso, mais nada. Não peguei, não fiz backup, não fiz nada. E a memória da secretária eletrônica está com a Polícia Civil há muito tempo.”

E, segundo o site UOL, acrescentou:

“Ninguém quer adulterar nada, não. O caso Marielle, eu quero resolver também. Mas querer botar no meu colo é, no mínimo, má-fé e falta de caráter.”

Família acredita que Mayc foi forçado a confessar ter matado engenheiro

Família acredita que Mayc foi forçado a confessar ter matado engenheiro

O vigilante Carlos Alan Parede, 43, irmão mais velho lutador de MMA Mayc Vinicius Teixeira Parede, 37, ainda está tentando entender o que levou o irmão a confessar à polícia ser o autor da morte do engenheiro Flávio Rodrigues. “Para mim ele foi obrigado a fazer isso para preservar a família, ou alguém. Quem conhece o meu irmão sabe que ele é incapaz de fazer o mal para alguém”, disse o vigilante.

Para Alan, Mayc podia estar blefando quando confessou à polícia ser o assassino do engenheiro Flávio Rodrigues, morto a facadas no dia 29 do mês passado, depois de uma festa na casa do enteado do prefeito Arthur Neto, Alejandro Valeiko, no condomínio Passaredo, bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus.

Alan disse que já esteve com Mayc depois de ele estar preso e que, quando perguntou ao irmão o que o levou a confessar o crime do engenheiro, o lutador apenas chorou muito e não falou nada. O irmão aponta fatos que estão acontecendo que, segundo ele, fortificam a suspeita de que Mayc assumiu um crime que ele não cometeu.

Sobre a transferência do suspeito da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) para o Centro de Detenção Provisório Masculino (CDPM), Alan disse acreditar que o irmão não queria.

O vigilante disse ainda que a família não acredita que as duas cartas que chegaram para eles como sendo enviadas por Mayc sejam dele, porque as assinaturas são diferentes. De acordo com ele, os contatos com o irmão foram poucos.

“Nós não sabemos de quase nada, como os motivos que levaram a transferência, assim como quem está pagando o advogado (Josimar Berçout) que está fazendo a defesa dele, para mim ele disse só que era um amigo”, disse o irmão. De acordo com Alan, a família é humilde e não tem recursos para bancar as despesas de um advogado.

Alan contou que Mayc é o penúltimo de uma família de cinco irmãos, filhos de um pedreiro e de uma dona de casa. A família começou no bairro do Japiim, depois se mudou para o bairro do Mauazinho, na Zona Leste, onde foram criados. “Mayc era diferente da gente, sempre interessado em estudar e chegou concluir o ensino médio”, descreveu.

De acordo com o irmão, o lutador de MMA entrou para o Exército, onde ficou dez anos e saiu como 3º sargento. Casou e foi morar no bairro Cidade de Deus, uma casa de alvenaria simples com dois cômodos. O casal teve dois filhos gêmeos e, depois de um tempo, acabaram se separando.

Mayc sempre trabalhou para dar o melhor para os filhos, conforme o irmão. Ele trabalhava como segurança, agente de portaria e também dava aulas de Jiu-Jítsu em academias. Atualmente estava trabalhando como agente de portaria em uma escola municipal, que ele não soube informar o endereço.

Conforme Alan e os irmãos passaram a viver longe um do outro morando em bairros diferentes, mas nunca deixaram de se falar. “As vezes ele chega a ligar pra gente mais de uma vez no dia. Por isso eu digo que o meu irmão não fez isso, ele é inimigo da violência”, afirmou Alan.

Conforme o vigilante, a família toda está abalada com a situação. A mãe Maria do Perpetuo Socorro Parede demonstra tranqüilidade, já o pai está abalado assim como os irmãos, aguardando o desenrolar das investigações.

Desconfiança

A confissão do lutador Mayc Parede não convenceu apenas a própria família, como também gera desconfiança de familiares de Flávio Rodrigues, vizinhos, colegas da academia onde ele era treinador e da polícia, que busca provas para que o verdadeiro assassino apareça.

Na noite de segunda-feira, familiares de Flávio foram a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) onde Elizabeth Valeiko, mãe de Alejandro, prestava depoimento. Com faixas e cartazes, na saída de Elizabeth, familiares do engenheiro gritavam “queremos a verdade, queremos a verdade”.

Na quarta-feira (23), a irmã de Flávio, Aline Rodrigues, disse que ainda não há convencimento. “Se nem a polícia está acreditando que ele é o assassino, imaginem nós. Estamos esperando a conclusão das investigações”, disse Aline.

Para o industriário Gleison dos Santos, 47, morador do bairro Cidade de Deus, Mayc não está falando a verdade.  “Ele treinava a gente na academia, é uma pessoa super do bem e jamais tiraria a vida de uma pessoa”, disse.  O jovem disse que não consegue imaginar o motivo que levou o lutador a assumir o crime.

A dona de casa Ângela do Nascimento é vizinha do lutador e disse que não acredita que ele tenha matado o engenheiro. “Conheço ele há mais de um ano, e ele é uma pessoa do bem”, pontuou ela.“Para mim ele era uma pessoa que vivia para o trabalho, não tinha muitas amizades. Às vezes quando chegava do trabalho com fome perguntava se eu não tinha um caldinho para dar para ele. Eu não acredito no que aconteceu”, acrescentou.

Outra vizinha de Mayc, Mara Costa, 35 anos, disse que conhece o lutador desde quando ela tinha 14 anos. Para ela ele sempre foi uma pessoa tranqüila, que trabalha e vive para os filhos, dois meninos de 15 anos de idade. “Ele chegava do trabalho, pegava os filhos e iam juntos para a academia. Quando soube que ele tinha assumido o crime achei que era apenas uma brincadeira”, disse.

Sem detalhes

Em seu depoimento prestado à Polícia Civil, Mayc confessa ser o autor do crime, sem explicar detalhes de com matou o engenheiro Flávio. Ele contou também que é amigo do sargento Elizeu Paz, também preso, pelo crime, há mais de 20 anos e contou ainda que deve vender um terreno que possui para pagar os honorários do advogado que está fazendo a sua defesa.

Caso Flávio: filha da primeira-dama de Manaus deixa delegacia após quase duas horas

Caso Flávio: filha da primeira-dama de Manaus deixa delegacia após quase duas horas

Após quase duas horas, Paola Molina Valeiko, filha da primeira-dama de Manaus, Elisabeth Valeiko, deixou nesta segunda-feira (22), por volta das 12h45, a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Ela foi ao local prestar depoimento sobre a morte do engenheiro Flávio Rodrigues, encontrado morto no dia 30 de setembro em um terreno no Tarumã, na Zona Oeste de Manaus.

A irmã de Alejandro Valeiko, um dos suspeitos presos de ter ligação com o crime, não quis falar com a imprensa. Em certos momentos, durante o trajeto até o carro que lhe aguardava no pátio da DEHS, ela chegou a demonstrar irritação com os registros feitos por repórteres-fotográficos e cinegrafistas. Ela saiu acompanhada por três advogados, entre eles Félix Valois e Yuri Dantas, ambos responsáveis pela defesa de Alejandro.

Paola, que chegou para depor hoje por volta das 10h45, foi uma das primeiras pessoas que foram ao local onde teria ocorrido o suposto sequestro do engenheiro – encontrado posteriormente morto – no condomínio Passaredo, na residência de Alejandro. Segundo a primeira-dama de Manaus, a filha chegou a limpar o sangue que estava no imóvel.

Mais cedo, questionado sobre o ocorrido, Félix disse desconhecer o fato. Ao ser informado que chegou a ser veiculado, em uma reportagem nacional, que a própria primeira-dama afirmou que a filha limpou o sangue do imóvel, ele declarou: “Então passou. A obrigação da polícia era isolar o local. Não isolou. Quem vai deixar a casa suja? A casa tá suja, tem que limpar”.

Ontem, a Elisabeth Valeiko passou mais de duas horas na sede da DEHS, onde prestou depoimento no início da noite de segunda-feira (21). Sobre o que foi dito, Félix informou que não pode relatar nada por conta do inquérito estar em segredo de Justiça. Ele apenas citou que a primeira-dama estava tensa e nervosa durante os esclarecimentos, o que, segundo ele, é algo natural.

Presidente do PSL alvo de operação da PF

Presidente do PSL alvo de operação da PF

Agentes da Polícia Federal (PF) cumprem mandado de busca e apreensão em endereço ligado ao presidente do Partido Social Liberal (PSL), deputado federal Luciano Bivar (PSL-PE), nesta terça-feira (15).

A operação faz parte da investigação sobre o uso de candidaturas laranjas pelo partido na eleição de 2018.

Ao todo, nove mandados foram autorizados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) para a Operação Guinhol, atendendo a um pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE).

A defesa de Bivar informou que vai colaborar com as investigações da PF.

“É um absurdo completo. Esse inquérito está se arrastando há muito tempo, tudo foi esclarecido, não havia necessidade alguma dessa busca e apreensão. O delegado está fazendo uma pescaria para encontrar alguma coisa”, afirmou o advogado Ademar Rigueira, segundo o site G1.

EUA e aliados investigam origem da espionagem contra Trump

EUA e aliados investigam origem da espionagem contra Trump

O procurador-geral Bill Barr entrou em contato com nações aliadas em busca de informações para a investigação que apura como o governo Barack Obama usou as agências de inteligência dos Estados Unidos para monitorar a campanha republicana de Donald Trump, em 2016.

O Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) está realizando uma investigação sobre as origens da ação do procurador-especial Robert Mueller envolvendo a interferência da Rússia na eleição presidencial de 2016.

Trump sempre classificou a narrativa de que ele precisou de ajuda externa para derrotar Hillary Clinton como uma “caça às bruxas”.

Após mais de dois anos de investigação e de uma cobertura caótica da velha imprensa, Mueller não encontrou evidências de conluio entre o chefe da Casa Branca e o governo Vladimir Putin.

Foi com base neste cenário que o presidente dos EUA pediu ajuda ao primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison. Um movimento totalmente dentro da legalidade. Afinal, a investigação original do FBI sobre a interferência russa foi deflagrada com base em informações de funcionários australianos.

Segundo a revista Veja, um porta-voz do governo australiano confirmou o pedido de Trump, assinalando que a Austrália “está sempre pronta para cooperar com os esforços para esclarecer assuntos que estão sob investigação”.

O procurador-geral dos EUA também teria pedido ajuda à Itália para esclarecer a origem da investigação que abriu a possibilidade do governo Obama espionar um candidato rival em pleno período eleitoral.

Barr teria se reunido com funcionários de alto escalão do Estado italiano na última sexta-feira (27) e pedido auxílio no inquérito conduzido por John Durham, o procurador de Connecticut convocado a investigar se o FBI agiu dentro da lei ao coletar informações sobre a campanha do presidente em 2016, informa a revista ISTOÉ.

A viagem de Barr à Itália antecedeu uma visita oficial do chanceler norte-americano Mike Pompeo, que desembarcou em Roma nesta terça-feira (1º) e terá reuniões com o presidente Sergio Mattarella, o primeiro-ministro Giuseppe Conte e o chanceler Luigi Di Maio.

PF mira atividades financeiras de Glenn Greenwald

PF mira atividades financeiras de Glenn Greenwald

A Polícia Federal (PF) está investigando o ataque cibernético contra autoridades brasileiras que resultou na divulgação de reportagens contendo supostas mensagens privadas pelo site Intercept.

Segundo informações publicadas pelo site O Antagonista, nesta terça-feira (2), em uma ação de inteligência, a PF pediu ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) um relatório das atividades financeiras do editor e cofundador do Intercept, Glenn Greenwald.

O objetivo das autoridades policiais é verificar qualquer movimentação atípica que possa estar relacionada à invasão dos celulares de integrantes da Operação Lava Jato.

Greenwald só será investigado, no entanto, se houver algum indício de que tenha encomendado o ataque criminoso, acrescenta o site.

A PF já tem elementos de prova de que um hacker tentou se passar pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e mandou mensagens para terceiros.

“Nós estamos falando aqui de um crime em andamento. De pessoas que não pararam de invadir aparelhos de autoridades ou mesmo de pessoas comuns e agora têm uma forma de colocar isso a público, podem enviar o que interessa e o que não interessa”, disse Moro no dia 19 de junho.


Celso de Mello rejeita investigação embasada em escritos anônimos

Celso de Mello rejeita investigação embasada em escritos anônimos

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, destacou que as autoridades públicas não podem iniciar investigação com único suporte informativo em peças apócrifas ou escritos anônimos.

Em despacho, o decano manteve acórdão do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ-SE) que estabelece a impossibilidade de a ouvidoria da Corte dar andamento a reclamação contra magistrado unicamente com base em um escrito vindo de autor não identificado.

A decisão de Celso de Mello negou provimento ao Recurso Extraordinário (RE) 1193343, interposto pelo Estado de Sergipe contra o acórdão do TJ-SE, informa o jornal Estadão.

“Reveste-se de legitimidade jurídica a recusa do órgão estatal em não receber peças apócrifas ou reclamações ou denúncias anônimas, para efeito de instauração de procedimento de índole administrativo-disciplinar e/ou de caráter penal, quando ausentes as condições mínimas de sua admissibilidade”, afirmou.

Na decisão, o relator citou a Resolução 103/2010 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a qual prevê, no artigo 7º, inciso III, que não serão admitidas pelas Ouvidorias do Judiciário reclamações, críticas ou denúncias anônimas.


PF apreende computadores de servidores da Receita que acessaram dados de Bolsonaro

PF apreende computadores de servidores da Receita que acessaram dados de Bolsonaro

A operação da polícia teve como ponto de partida uma investigação interna da própria Receita sobre acesso irregular a informações do presidente no sistema do Fisco.

Um dos alvos da investigação é Odilon Ayub Alves, lotado em uma unidade da Receita em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Espírito Santo. Ontem, Odilon prestou esclarecimentos na Delegacia da PF de Vitória por cerca de uma hora e foi liberado. O teor das declarações não foi divulgado.

A Receita Federal informou, ontem à noite, que abriu sindicância para apurar as circunstâncias do acesso de dois servidores a “informações fiscais” de Bolsonaro e de integrantes de sua família. A suposta invasão foi descoberta em janeiro. De acordo com a Receita, a PF foi notificada após a constatação de que não havia “motivação legal” para os acessos.

Com base nas informações preliminares da Receita, a PF abriu inquérito e apreendeu computadores para aprofundar a apuração. A investigação pode levar à prisão dos servidores. O acesso às informações fiscais do presidente, independentemente da motivação, pode configurar delitos como abuso de autoridade, quebra de sigilo funcional e crime contra a Segurança Nacional. Os servidores também vão responder a Processo Administrativo Disciplinar na Receita Federal, que pode resultar em suas demissões.

O advogado Yamato Ayub, irmão de Odilon, disse que tudo não passou “de uma brincadeira” e começou quando o servidor estava atendendo um senhor de nome Jair na unidade da Receita onde trabalha, em Cachoeiro do Itapemirim. Segundo o advogado, o irmão brincou perguntando se o tal Jair tinha sobrenome “Bolsonaro”.

Ele acessou o sistema inadvertidamente para ver a data de nascimento do (presidente Jair) Bolsonaro. Foi curiosidade, infantilidade, ingenuidade. Não houve vazamento de dados. Não houve acesso a patrimônio. Tudo sem maldade. Vamos aguardar o resultado do inquérito — comentou.

De acordo com Yamato, o irmão fez a consulta no sistema da Receita Federal em outubro do ano passado, quando Bolsonaro era candidato à Presidência. O nome de Bolsonaro permanece em constante vigilância após o atentado sofrido em setembro de 2018, em Juiz de Fora (MG).

Henedina Ayub, uma das irmãs de Odilon, também procurou minimizar o impacto das ações do irmão ao comentar o fato em uma rede social.

“Só na cabeça dele (Odilon) usar o computador da Receita para saber dados do Bolsonaro. Sabemos que tem pessoas que torciam que fosse roubo ou até propina pelo fato de ser da Receita”, escreveu.

Odilon é irmão da deputada federal Norma Ayub (DEM-ES). Em nota, a deputada declarou não ter nenhuma relação com o caso.

“Esclarecemos ainda que o irmão não foi incriminado, apenas foi prestar esclarecimentos em uma investigação. Trata-se de um caso isolado do Odilon, sem nenhuma relação com a atividade parlamentar de Norma Ayub”, afirmou a nota.

A Superintendência da Polícia Federal no Espírito Santo informou, em nota, “que não comenta eventuais investigações em andamento”.