Documentos solicitados por membros de CPI em visita à Hospital devem ser requisitados via ofício à Susam

Documentos solicitados por membros de CPI em visita à Hospital devem ser requisitados via ofício à Susam

Hospital de Combate à Covid-19 recebeu na tarde desta sexta-feira (29.05) a visita de parlamentares, membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da saúde da Assembleia Legislativa do Estado. Os deputados Péricles, Wilker Barreto, Fausto Junior e Francisco Gomes estiveram no local e reuniram com membros da direção do hospital e o secretário Executivo Adjunto da Capital, da Secretaria de Estado de Saúde, Thales Schincariol.

Durante a reunião, o secretário e diretores informaram aos parlamentares sobre o funcionamento da unidade, que dispõe de 220 leitos clínicos e 40 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em relação a documentos solicitados, como copia de contratos, entre outros, foi orientado que sejam solicitados, por meio de ofício à Secretaria de Estado de Saúde (Susam), responsável por todos os processos de contratação da unidade instalada pelo Governo do Amazonas para dar suporte à rede de saúde no enfrentamento ao novo coronavírus.

O Hospital está funcionado desde o dia 18 de abril e em 40 dias já passou por auditorias, incluindo a do Ministério da Saúde, fiscalizações e controle de qualidade. O Ministério da Saúde comprovou a excelência no atendimento e os processos assistenciais foram aprovados, fornecendo assim auxílio do Governo Federal ao Hospital de Combate a Covid-19.

De acordo com Thales Schincariol, o hospital recebeu a visita dos parlamentares de forma transparente, fornecendo os dados de leitos, funcionários e serviços emergenciais que eles vêm desenvolvendo de forma pioneira. “Esse hospital ele foi montado em regime de guerra, a gente tinha um inimigo invisível, que estava afligindo toda população do Amazonas e o estado precisava dar uma ordem para a execução de um projeto de grande porte, para tentar salvar o máximo de pessoas. Em quarenta dias a gente levantou um sistema de organização do estado, padrão diferenciado, uma estrutura de um hospital de grande porte. As interpelações dos deputados com relação aos contratos são válidas e vamos responder no processo”, disse.

Ainda conforme o secretário, os relatórios e informações técnicas solicitadas pelos membros da CPI serão entregues na data estipulada pelos parlamentares. “O hospital é aberto a qualquer um que queira entrar, é um projeto que foi montado para salvar vidas. Os deputados podem vir sim, não interessa a orientação política dele. Em 15 dias, eles tem que ter esses documentos isso vai ser entregue. Semana passada fomos auditados pelo Ministério da Saúde. Eles avaliaram todos os processos assistenciais, avaliaram cada centímetro desse hospital e viram que a execução do projeto de assistência está perfeita dentro dos padrões que eles consideram”, afirmou Schincariol.

Para o deputado estadual Dr. Gomes, que é membro da CPI da saúde, o hospital está em pleno funcionamento cumprindo o papel para qual foi criado, que é salvar vidas. Dr. Gomes ressaltou que os documentos relacionados à unidade devem ser entregues aos parlamentares por meio de ofício, caso contrário, seria ilegal.

“Estivemos aqui atendendo a solicitação do presidente da CPI, fazendo essa visita ao hospital Nilton Lins. O hospital com toda sua equipe e o governo cumpriu com tudo aquilo que se propôs. Podemos dizer que é um dos melhores do norte do país. A questão burocrática, quem é responsável é a Susam, aqui entendemos que funciona a parte operacional, é o atendimento de boa qualidade com respeito ao paciente. Esses documentos, notas fiscais estão lá na sede, na Susam. Sugeri que a CPI pudesse buscar esses documentos através de ofício. Mesmo que tivesse aqui esses documentos, era ilegal a direção do hospital passar nas minhas mãos ou nas mãos de qualquer membro da CPI documentos que não fossem formalizados através de um documento ”, explicou.

Médicos caxienses contam primeiras experiências em Manaus

Médicos caxienses contam primeiras experiências em Manaus

Os quatro médicos gaúchos, que viajaram para Manaus na última terça-feira (5), já tiveram suas primeiras experiências numa das cidades mais atingidas pela pandemia no país. O trabalho na capital do Amazonas servirá como aprendizado, pois os conhecimentos adquiridos poderão ser usados nos atendimentos no Rio Grande do Sul.

Logo no primeiro dia, eles foram escalados para o plantão  no Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz. Eles também têm plantões no Hospital de Campanha Nilton Lins. 

— Tinha mais ou menos uns 30 pacientes internados, até a virada do plantão. Praticamente todos eles com covid. Ou com exame já positivo ou aguardando o exame positivar, que demora, vai para o Lacen — descreve o médico porto-alegrense Luciano Eifler.

Os médicos contam que, no primeiro momento, a realidade chocou. Manaus tem mais de 4,5 mil casos confirmados de coronavírus e até a última sexta-feira (8) eram 562 mortes ocasionadas pelo vírus. 

— Chocou um pouco, porque todas as pessoas estão iguais. A gente vê mais ou menos o mesmo padrão de insuficiência renal, lesão pulmonar, tomografia ruim. Todos entubados e tudo covid-19, não tem outra coisa — conta Eifler. 

Nas ruas, os profissionais gaúchos notam que, mesmo com a alta taxa de contágio, a população está seguindo a rotina costumeira. Movimentos nas ruas, pessoas circulando e fluxo grande de veículos estão entre as principais observações feitas pelos médicos nestes primeiros dias. No entanto, a maioria da população manauara está utilizando a máscara de proteção ao se locomover.

A médica Samantha de Aspiazu Damiani, de Caxias do Sul, expõe a importância de auxiliar os manauaras: 

— É uma honra ajudar meu país num momento tão crítico.

Para realizar os plantões, os médicos utilizam EPI completo, que conta com macacão, touca, luva e óculos. Além disso, existe uma área própria para descontaminação, onde descartam todo material utilizado. 

— Cada vez que a gente sai de um lugar para o outro, a gente troca a luva. Deixamos uma luva como se fosse a nossa mão, amarramos com esparadrapo colado no EPI, e aquela luva é como se fosse uma segunda pele. Ai tu fica colocando uma outra em cima, toda vez — explica a médica Priscila Olmi, também de Caxias. 

Há também uma tenda de descontaminação na entrada dos hospitais. São chuveirinhos com uma solução antisséptica. Além disso, antes de adentrar na estrutura hospitalar, todos os funcionários são recebidos com termômetro digital para medir a temperatura corporal. 

— Na frente do hospital, é como se fosse uma cabine de foto, só que toda aberta, fechada apenas nas laterais e em cima. Então, tem jatos de água sanitária. Ai tu passa por ali, para, dá a volta e fica com os jatos, funciona por sensor. Tu faz isso tanto na entrada como na saída — explica Priscila Olmi.

No Hospital de Campanha Nilton Lins,  há apenas sete médicos à disposição na ala em que os gaúchos estão atuando. Então, nestes primeiros dias, com a alta demanda de trabalho, o tempo livre é todo dedicado para o descanso. Eifler conta que não há tempo para ver televisão e, raramente, conseguem responder e-mails ou mensagens:

— O tempo de sobra, é para comer e dormir.

Na última quinta-feira (7), eles puderam presenciar a primeira alta no  Nilton Lins. 

— Foi bem legal. Trata-se de uma paciente que já estava internada há uns 20 dias. A gente acompanhou só o final (da recuperação), mas é de encher o olho. Porque é muito triste, a realidade é muito diferente — conta Priscila.

ESTRUTURA HOSPITALAR

Os dois hospitais estão com alta demanda de pacientes com covid-19.

— São hospitais grandes. Eles têm muito espaço e estrutura, abriram setores novos. Então, para ter uma ideia, no Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz, são pelo menos uns três andares de UTI. Nós estávamos na UTI do quarto andar — expõe Eifler. 

A médica caxiense Samantha complementa dizendo que, na questão estrutural, é muito melhor do que ela imaginava:

— Em termos de prédio/arquitetura, é muito melhor de todos os hospitais que já conheci. O hospital (Nilton Lins), que ficamos a maior parte do tempo, tem 800 leitos.

O Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz abriu uma nova estrutura e é equipado com ventilador mecânico, bomba de infusão e todos os outros equipamentos necessários para atendimento. Para evitar o contágio de coronavírus, as visitas, na ala de tratamento a covid-19, foram suspensas. A alternativa para falar com os familiares é a videoconferência. 

— Todos eles estão entubados. Não tem paciente que não está entubado. Não é porta de emergência aberta, é uma UTI. Todos em ventilação mecânica, muita bomba de infusão, que são as medicações usadas para sedar, para que eles fiquem descansando. Não tem visita de familiar — detalha Eifler. 

O Nilton Lins, por sua vez, é um hospital de campanha, que também conta com muitos leitos de UTI e opera nas mesmas condições do Delphina Rinaldi Abdel Aziz: UTI fechada. Priscila explica que, por enquanto, há respirador para todo mundo. Assim como luva, máscara, EPI.

—  Tem uma UTI grande, com 20 leitos que também são leitos referenciados. Então, não é emergência porta aberta, é uma UTI fechada. Cada paciente fica no box fechado. Todos os pacientes graves entubados, a grande maioria deles ou testou positivo para covid-19 ou está aguardando resultado — complementa Eifler. 

A maioria dos profissionais deste hospital tem como função de origem bombeiro militar. Eles tinham passado em concursos anteriores e foram chamados pela prefeitura neste momento, em decorrência do aumenta de demanda. Cerca de 800 profissionais da saúde foram contratados.

— As pessoas não têm experiências em trabalhar dentro do hospital. Mas elas têm uma intenção boa, de ajudar, ninguém fica de corpo mole. Todo mundo trabalhando o tempo inteiro — conta Priscila. 

Os dois hospitais contam com ventiladores mecânicos. A diferença, em relação a alguns hospitais do RS é que, essas casas hospitalares têm capacidade para abrir muito mais leitos. Então, conforme vão chegando as equipes, que contam médicos de todas as partes do país, eles abrem novos leitos. 

— Eles até têm o leito box, ventilador mecânico, a bomba de infusão, mas ai tem que ter enfermeiro, técnico e médico. Não adianta eles abrirem leitos sem ter equipes para colocar lá dentro. Então, os leitos eles vão escalonando, abrindo conforme vão chegando recursos humanos para atender, equipes para poder atender — conta Eifler. 

O médico Rodrigo Britto complementa: 

— A estrutura física é muito boa. Os equipamentos são padrão, como a gente encontra na Serra e em outros lugares. Então, a gente está bem assistido. 

Em relação ao todo, Priscila conta que a realidade de saúde da cidade é preocupante:

— A realidade na periferia de Manaus é das pessoas morrendo na porta (hospital). Um colega contou que estava de plantão e chegou uma família com uma pessoa morta há um dia e não sabia o que fazia com o corpo. Então, a realidade que a gente vive aqui em Manaus é melhor do que a vista na periferia da cidade. Estamos num centro bom. Mas, mesmo assim, a realidade de estrutura de saúde é muito diferente, comparando com Caxias.

Fonte: Pioneiro

Nelson Teich anuncia ampliação do Hospital Nilton Lins com apoio federal

Nelson Teich anuncia ampliação do Hospital Nilton Lins com apoio federal

O ministro da Saúde, Nelson Teich, disse, nesta segunda-feira (4), que o Hospital de Combate ao Covid-19, instalado na Nilton Lins, zona centro-sul de Manaus, poderá ser ampliado com apoio do Governo Federal. Ele visitou o local acompanhado do governador Wilson Lima e avaliou que, antes de planejar um hospital de campanha, o Ministério da Saúde (MS) poderá ampliar a capacidade de atendimento na unidade.

“Antes da gente pensar em um hospital de campanha, tem que pensar em como otimizar o funcionamento daqui. O Hospital é amplo, com espaço para crescer”, disse o ministro ao sair da unidade. Para isso, Nelson Teich disse que o MS vai ajudar na ampliação da capacidade, tanto em relação a equipamentos, quanto recursos humanos.

“Como a gente tem recursos escassos, a gente tem que entender o que consigo utilizar no espaço curto de tempo. Eu preciso de tudo funcionando ao mesmo tempo para poder cuidar das pessoas. Então eu tenho que ter o respirador, eu tenho que ter as pessoas, tenho que ter outros detalhes de operação. Não posso mandar mais do que eu consigo botar para rodar rapidamente, senão eu tiro de outras partes do país. O mais importante de tudo é o que eu consigo botar para operar agora”, detalhou o ministro.

Aumento gradual

O governador Wilson Lima disse que o Hospital de Combate ao Covid-19, na Nilton Lins, tem sua capacidade sendo ampliada gradativamente, à medida que o Estado recebe equipamentos e recursos humanos. Atualmente, há 70 pacientes internados na unidade.

“O Governo do Estado está trabalhando juntamente com o Ministério da Saúde, tem trabalhado no planejamento estratégico para que a gente possa ampliar essa nossa estrutura de atendimento e aí entra não só o Hospital Nilton Lins, mas também outros espaços que precisam de recursos humanos”, disse Wilson Lima.

O governador agradeceu o reforço de equipamentos, do Governo Federal, e de mais de 200 profissionais do Programa Brasil Conta Comigo, que estão passando por capacitação nesta segunda-feira.

“A vinda do Ministro é muito importante porque abre essa janela de esperança para o nosso povo e todos sabem da dificuldade que temos no sistema público do Estado e estamos recebendo do Governo Federal, a gente tem dado passos significativos nesse atendimento a o cidadão”, afirmou Wilson Lima.

Acritica

Video: “Só por cima do meu cadáver”, diz Wilson Lima sobre bloqueio do Hospital da Nilton Lins

Video: “Só por cima do meu cadáver”, diz Wilson Lima sobre bloqueio do Hospital da Nilton Lins

O governador Wilson Lima desafiou e chamou de fake news as informações sobre irregularidades na contratação de 400 novos leitos no Hospital Universitário da Nilton Lins para receber os pacientes da covid-19. “Só por cima do meu cadáver vão fechar isso aqui”, disse o governador hoje de manhã (16) dentro dos corredores da unidade de saúde acompanhado da imprensa.

Wilson Lima afirmou que o contrato com a instituição nem existe, não chegou a ser fechado. Mostrou para os jornalista que o trabalho continua e a unidade que, segundo ele, entra em operação nas próximas horas. “Vou ficar aqui, vou montar meu gabinete aqui e quero ver alguém vir aqui fechar e impedir o funcionamento do hospital. Só por cima do meu cadáver”, ameaçou o governador em entrevista ao vivo na Rede Amazônica, afiliada da Rede Globo em Manaus.

Para o governador, o momento é de somar esforços para criar condições de atendimento ao número cada vez maior de doentes e não de criar obstáculos.

Confira o vídeo da entrevista abaixo: