Os controvertidos testes com vírus letais que estão sendo conduzidos nos EUA

Os controvertidos testes com vírus letais que estão sendo conduzidos nos EUA

Se algo der errado, o resultado pode ser catastrófico.

Um grupo de cientistas americanos adverte que o governo dos EUA está financiando com dinheiro público “experimentos perigosos” que poderiam gerar uma pandemia.

São estudos laboratoriais controversos em que são manipuladas cepas do vírus mortal da gripe aviária.

O risco associado a essas pesquisas levou à suspensão das mesmas há quatro anos, mas agora as autoridades de saúde americanas voltaram a dar sinal verde para que sejam realizadas.

O perigo, de acordo com este grupo de cientistas, é que os experimentos abram a porta para que este vírus altamente contagioso – que ainda não foi transmitido entre seres humanos – infecte milhares de pessoas.

“De fato, o motivo desses experimentos é tornar o vírus contagioso para os humanos”, diz à BBC Mundo Marc Lipsitch, professor de epidemiologia na Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, nos EUA, um dos críticos deste tipo de pesquisa.

“Elas têm pouco valor científico, mas um risco excepcionalmente alto”, acrescenta.

“Eu realmente não sei por que eles estão fazendo isso.”

Mas, afinal, que pesquisas são essas e por que são tão controversas?

Saber mais sobre o vírus

Um dos projetos de pesquisa está sendo desenvolvido pela Universidade de Wisconsin, com financiamento dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH, na sigla em inglês).

Os experimentos incluem, por exemplo, infectar furões com o H5N1, vírus causador da gripe aviária, e verificar se o mesmo é transmitido de um animal para outro.

Este vírus é altamente mortífero para os seres humanos, mas até hoje não foi reportado nenhum caso em que tenha sido transmitido diretamente de uma pessoa para outra – o que poderia provocar uma pandemia.

Em geral, os pacientes que contraíram o vírus estiveram em contato com aves doentes.

O objetivo, segundo os pesquisadores, é aprender mais sobre como o vírus se propaga e, assim, prever maneiras de impedir sua disseminação entre mamíferos.

A ideia é preparar os seres humanos para esse tipo de infecção.

A gripe aviária pode ser letal para os seres humanos

“A única maneira de impedir uma pandemia é ter um conhecimento científico maior de como esses vírus são transmitidos”, diz à BBC Mundo Rebecca Moritz, especialista em biossegurança que supervisiona o experimento na Universidade de Wisconsin.

“O objetivo não é criar intencionalmente um vírus capaz de ser transmitido”, esclarece.

Mas esse não é o maior medo de Lipsitch.

Segundo ele, é pouco provável que alguém queira usar o vírus como arma biológica, tampouco que ocorra uma explosão no laboratório ou uma falha no sistema de ventilação que faça com que o vírus seja liberado.

“O que é mais provável”, diz ele, “é que alguém cometa um erro e seja exposto ao vírus, transmita para outra pessoa e dê início a um surto.”

“Na maioria dos casos em que alguém foi exposto a patógenos perigosos, foi porque pensou que estava trabalhando com material seguro”, alerta.

Lipsitch reconhece que o risco de o experimento desencadear acidentalmente uma pandemia é baixo.

“Mas isso não significa que seja seguro realizá-lo”, completa.

Moritz argumenta, por sua vez, que o projeto é seguro e representa um risco “incrivelmente baixo” – justamente por isso teria recebido financiamento do NIH.

Supervisora do estudo argumenta que o projeto é seguro e representa um risco ‘incrivelmente baixo’

Por que fazer desta maneira?

Há muitas maneiras de conduzir experimentos com vírus, mas, de acordo com Lipsitch, neste caso foi escolhida a menos conveniente.

“Se você quer se preparar para uma pandemia, há muitas coisas que você pode fazer, todas seguras, exceto esse tipo de trabalho”, diz ele.

Segundo ele, embora as pesquisas com vírus venham sempre acompanhadas de algum risco, há outros métodos que fariam mais sentido.

Uma opção, por exemplo, seria pegar uma cepa de gripe humana e promover alterações para torná-la mais parecida com a gripe aviária e, na sequência, tentar corrigir essas mutações.

Esse método é caro e complicado, então, de acordo com Lipsitch, seria melhor comparar as cepas do vírus Influenza da gripe aviária e da gripe humana, analisar suas propriedades e estudar suas diferenças.

“Isso daria pistas sobre o que faz com que os humanos se adaptem.”

Moritz, mais uma vez, não concorda.

Existem várias formas de realizar experimentos com vírus

“Essas metodologias não são capazes de nos levar muito longe”, diz.

“Os vírus Influenza são incrivelmente diversos, por isso não é necessariamente possível substituir um vírus Influenza por outro vírus Influenza”.

Transparência

Quem se opõe a essas pesquisas também critica a falta de clareza no processo de liberação das mesmas.

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS, na sigla em inglês) solicitou uma revisão a um grupo de especialistas, que concluiu que era seguro liberar os projetos de pesquisa.

Um porta-voz do HHS, citado pela revista científica Science, afirma, no entanto, que as conclusões do painel não podem ser publicadas, uma vez que contêm informações confidenciais do laboratório que vai desenvolver os experimentos, o que poderia beneficiar seus concorrentes.

Para Lipsitch, essa decisão privilegia os sigilos comerciais de alguns poucos cientistas, em detrimento do direito dos cidadãos de conhecer iniciativas que poderiam afetá-los.

A BBC News Mundo entrou em contato com o NIH para saber mais sobre os experimentos e o processo de aprovação, mas não obteve resposta.

Richard Ebrigh, especialista em microbiologia da Universidade Rutgers, nos EUA, citado pela Science, diz que essa falta de clareza é “perturbadora e indefensável”.

Já Moritz, que defende o projeto, afirma que o processo de revisão foi transparente e incluiu o parecer de especialistas internacionais e audiências públicas.

Vale a pena o risco?

Segundo a Science, quem participa deste tipo de experimento deve cumprir certas normas que incluem: notificar imediatamente as autoridades ao identificar uma cepa de H5N1 altamente perigosa e que possa ser transmitida diretamente entre os furões pelo ar; ou se desenvolver um agente de contaminação que seja resistente a drogas antivirais.

“Acho que alguém está exagerando o valor [científico] deste experimento ou simplesmente decidiram realizá-lo independentemente dos riscos”, diz Lipsitch.

O projeto, por sua vez, segue avançando – embora, segundo Moritz, ainda não haja previsão de uma data específica para apresentação dos primeiros resultados.

Enquanto isso, Lipsitch insiste que é um risco que não vale a pena correr.

“Qualquer experimento que ponha em risco a vida de um ser humano deve ser um dos experimentos mais importantes do século, deve ser algo muito especial.”

“E ninguém explicou o que há de especial nessa experiência”, completa.

BBC

China anuncia nova rodada de negociações comerciais com os EUA

China anuncia nova rodada de negociações comerciais com os EUA

Delegação dos Estados Unidos visitarão a China em 28 e 29 de março. Em troca, vice-primeiro-ministro Liu He viajará a Washington no início de abril.

Presidente da China, Xi Jinping, e presidente dos EUA, Donald Trump, se cumprimentam em imagem de novembro de 2017. — Foto: Damir Sagolj/Reuters

Uma delegação dos Estados Unidos chefiada pelo representante de Comércio, Robert Lighthizer, e pelo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, visitarão a China em 28 e 29 de março para a próxima rodada de negociações, afirmou nesta quinta-feira (21) o Ministério do Comércio da China.

Em troca, o vice-primeiro-ministro Liu He viajará a Washington no início de abril para mais discussões, conforme as duas maiores economias do mundo tentar fechar um acordo comercial para acabar com meses de disputas.

As discussões serão as primeiras desde que o presidente norte-americano, Donald Trump, adiou o prazo de 1 de março para evitar o aumento de tarifas sobre US$ 200 bilhões em importações chinesas dos atuais 10% para 25%.

Trump alertou na quarta-feira que os EUA podem manter as tarifas sobre bens chineses por um “período substancial” para garantir que Pequim cumpra qualquer acordo comercial, ampliando as incertezas sobre as negociações.

Washington e Pequim estão lutando pela forma final de um acordo que ambos os lados disseram que gostariam de alcançar, com autoridades americanas exigindo mudanças profundas na política industrial chinesa.

Mas as autoridades americanas têm insistido que qualquer acordo deve ter força – incluindo a possibilidade de impor tarifas unilateralmente, caso a China comece a se desviar de quaisquer compromissos para acabar com práticas comerciais injustas.

G1

Brasil e Estados Unidos assinam acordos de cooperação em segurança

Brasil e Estados Unidos assinam acordos de cooperação em segurança

O Ministério da Justiça e Segurança Pública assinou acordos de cooperação institucional com a Agência Federal de Investigações (FBI) e o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (Homeland Security – DHS) para o compartilhamento de informações sobre a atuação de grupos criminosos e terroristas.

Os acordos foram assinados pelo diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo, durante a visita da comitiva brasileira que acompanhou o presidente Jair Bolsonaro em viagem aos Estados Unidos – encerrada ontem (19). Segundo a pasta, a iniciativa visa ao combate conjunto ao crime organizado transnacional, intensificando cooperação já existente entre os dois países.

Os textos assinados ainda não foram divulgados, mas, de acordo com o Ministério da Justiça, o acordo com o FBI prevê a troca de informações que permitam identificar as impressões digitais em investigações criminais. Com o acordo, as respectivas autoridades do sistema jurídico poderão fornecer informações identificadoras de impressões digitais obtidas legalmente.

Já o termo de cooperação firmado com o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos permite o intercâmbio de oficiais em programas desenvolvidos pelos países, principalmente para facilitar a troca de informações sobre ameaças nas fronteiras do Brasil e dos Estados Unidos.

Reuniões


O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, se reuniu com autoridades nos EUA – Marcelo Camargo/Arquivo Agência Brasil

Ainda durante a viagem, o ministro Sergio Moro se reuniu com autoridades como a secretária do Departamento de Segurança Interna, Kirstjen Nielsen; com o ministro da Justiça norte-americano, William Barr, e com o diretor do FBI, Christopher A. Wray – além de participar do jantar organizado pelo embaixador brasileiro em Washington, Sérgio Amaral, para o qual foram convidados acadêmicos norte-americanos e formadores de opinião.

Moro aproveitou os encontros para falar sobre o projeto de lei anticrime que o governo federal enviou ao Congresso Nacional, propondo mudanças em várias leis como forma de combater a corrupção, crimes violentos e facções criminosas.

Também foram mencionadas a atuação de organizações criminosas no Brasil e as medidas de enfrentamento já adotadas pelo Estado, como a recente transferência de líderes de organizações criminosas para presídios federais de segurança máxima, e a importância da adesão do Brasil à Convenção de Budapeste, tratado internacional firmado no âmbito do Conselho da Europa para definir os crimes praticados por meio da Internet.

Além do ministro Sergio Moro, acompanharam o presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos os ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional); Ernesto Araújo (Relações Exteriores); Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia); Paulo Guedes (Economia); Tereza Cristina (Agricultura) e o porta-voz Otávio do Rêgo Barros, além de outras autoridades.

Agência Brasil

Trump cogita facilitar visto para brasileiros

Trump cogita facilitar visto para brasileiros

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pensa em facilitar o visto dos brasileiros para a entrada no país

Bolsonaro e Donald Trump (AP Photo/Manuel Balce Ceneta)

Durante o encontro entre Jair Bolsonaro e Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos afirmou que pensa em facilitar o visto dos brasileiros para a entrada no país. “Estamos pensando muitas coisas em diferentes opções. Também estamos pensando facilitar os vistos [para brasileiros]. Mas o comércio que temos com o Brasil não é tão bom como deveria ser. Temos que trabalhar para que seja o melhor possível”, declarou Trump.

É importante lembrar que o governo brasileiro liberou na última segunda-feira, 18, a entrada de cidadãos dos EUA no Brasil sem a necessidade de visto. A decisão foi unilateral e, de acordo com o governo federal, tem como objetivo aumentar o turismo no país e gerar empregos relacionados à área.

OCDE

Trump afirmou ainda que vai apoiar a entrada do Brasil na OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. A instituição, que conta com 36 países aceitam os princípios da democracia representativa e da economia de mercado, pode trazer benefícios ao país, melhorando a economia e estimulando o comércio internacional. “Eu estou apoiando o Brasil para entrar na OCDE”, declarou.

Bolsonaro libera cidadãos de EUA, Austrália, Canadá e Japão de visto de visita ao Brasil

Bolsonaro libera cidadãos de EUA, Austrália, Canadá e Japão de visto de visita ao Brasil

Decreto foi publicado nesta segunda (18) no ‘Diário Oficial’. Medida acontece em meio à viagem de Bolsonaro a Washington (EUA) para encontro com Donald Trump.

Imagem meramente ilustrativa

O presidente Jair Bolsonaro editou um decreto para dispensar o visto de visita para cidadãos de Estados Unidos, Austrália, Canadá e Japão que vierem ao Brasil

O decreto foi publicado nesta segunda-feira (18), em uma edição extra do “Diário Oficial da União”.

Assinam o decreto, além de Bolsonaro, os ministros Sérgio Moro (Justiça), Ernesto Aráujo (Relações Exteriores) e Marcelo Alvaro Antonio (Turismo).

Íntegra

Leia abaixo a íntegra do decreto assinado por Bolsonaro:

DECRETO Nº 9.731, DE 16 DE MARÇO DE 2019

Dispensa visto de visita para os nacionais da Comunidade da Austrália, do Canadá, dos Estados Unidos da América e do Japão e altera o Decreto nº 9.199, de 20 de novembro de 2017, que regulamenta a Lei nº 13.445, de 24 de maio de 2017, que institui a Lei de Migração.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 9º, caput, inciso IV, da Lei nº 13.445, de 24 de maio de 2017,

D EC R E T A:

Art. 1º Fica dispensado, de forma unilateral, visto de visita, nos termos do disposto no art. 9º, caput, inciso IV, da Lei nº 13.445, de 24 de maio de 2017, para os solicitantes nacionais:

I – da Comunidade da Austrália;

II – do Canadá;

III – dos Estados Unidos da América; e

IV – do Japão.

Parágrafo único. A dispensa do visto de visita apenas se aplica aos nacionais referidos nos incisos do caput, portadores de passaportes válidos, para:

I – entrar, sair, transitar e permanecer no território da República Federativa do Brasil, sem intenção de estabelecer residência, para fins de turismo, negócios, trânsito, realização de atividades artísticas ou desportivas ou em situações excepcionais por interesse nacional; e

II – estada pelo prazo de até noventa dias, prorrogável por igual período, desde que não ultrapasse cento e oitenta dias, a cada doze meses, contado a partir da data da primeira entrada no País.

Art. 2º O Decreto nº 9.199, de 20 de novembro de 2017, passa a vigorar com

as seguintes alterações:

“Art. 25. …………………………………………………………………………………………….. ……………………………………………………………………………………………………………

§ 2º Ato conjunto dos Ministros de Estado da Justiça e Segurança Pública e das Relações Exteriores poderá, excepcionalmente, dispensar a exigência do visto de visita, para nacionalidades determinadas, observado o interesse nacional.

…………………………………………………………………………………………………..” (NR)

Art. 3º Este Decreto entra em vigor em 17 de junho de 2019.

Brasília, 16 de março de 2019; 198º da Independência e 131º da República.

JAIR MESSIAS BOLSONARO

Sérgio Moro

Ernesto Henrique Fraga Araújo

Marcelo Henrique Teixeira Dias

Um ano antes de eleições, EUA veem ‘boom’ de candidaturas femininas

Um ano antes de eleições, EUA veem ‘boom’ de candidaturas femininas

Trump deve ser desafiado por significativo número de mulheres em 2020. Diversidade do eleitorado feminino é questão-chave para candidaturas

Da esquerda para a direita: Gabbard, Gillibrand, Warren, Harris e Klobuchar
Fotos REUTERS/Montagem R7

Ainda falta mais de um ano para as eleições presidenciais nos Estados Unidos, mas os americanos já têm uma certeza: caso tente a reeleição, Donald Trump será desafiado por um significativo número de mulheres.

Somente nesses primeiros meses de 2019, já foram cinco as líderes políticas a anunciarem sua intenção de concorrer às primárias — votações que ocorrem antes das eleições propriamente ditas para que as legendas escolham seus candidatos à presidência — pelo Partido Democrata.

Os nomes incluem Tulsi Gabbard, deputada pelo Havaí, e as senadoras Kirsten Gillibrand (de Nova York), Elizabeth Warren (do Massachusetts), Kamala Harris (da Califórnia) e Amy Klobuchar (de Minnesota).

Trump ‘incentiva’ mulheres na política

Para muitos, o aumento das representantes femininas na política norte-americana foi alavancado pela própria figura de Trump.

“Trump foi, na verdade, o gatilho para que as mulheres atuassem na política como um movimento de resistência. Desde que ele assumiu o poder, em 2017, vemos o surgimento de lideranças femininas como alternativa ao governo conservador capitaneado pelo presidente”, comenta Débora Prado, professora do Programa de Pós-grawidduação em Relações Internacionais da UFU (Universidade Federal de Uberlândia).

Débora, que é também pesquisadora do INCT-INEU (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos), lembra que, após a ascensão de Trump à Casa Branca, episódios como a Marcha das Mulheres em Washington e o movimento #MeToo ganharam uma repercussão sem precedentes dentro e fora dos Estados Unidos. 

Mesmo nas eleições legislativas do país em 2018, realizadas no último mês de novembro, as mulheres foram as grandes vencedoras s — com mais de 100 candidatas eleitas ou reeleitas nas disputas.

Luta histórica

Não seria coerente, entretanto, restringir a arrancada feminina como uma reação às posturas do atual presidente, na opinião de Kelly Dittmar — professora de Ciências Políticas da Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos.

“A base para essas candidaturas de mulheres foi construída muito antes da presidência de Donald Trump. As mulheres buscam a presidência há mais de um século nos Estados Unidos, com candidaturas mais sérias nos últimos 50 anos. Cada uma que se apresentou como candidata desbancou as normas vigentes de masculinidade na política — que beneficiaram principalmente os homens”, conta.

“O sucesso de Trump — construído sobre padrões masculinos para a política —, na verdade, aumentou a sensação de urgência entre as mulheres para se impor e contra-atacar na esfera pública”, acrescenta.

Nesse sentido, é óbvio o destaque de Hillary Clinton — ainda que ela tenha saído derrotada do pleito em 2016. “Hillary rachou o teto de vidro a nível presidencial, não apenas por sua capacidade de ganhar votos populares e provar seu sucesso enquanto mulher, mas também em sua habilidade de oferecer uma nova imagem para o que pode ser um presidente”, completa a especialista americana.

Não só na presidência

Além da corrida presidencial, nomes como Alexandria Ocasio-Cortez — que se tornou, aos 29 anos, a mais jovem mulher a ser eleita para o Congresso dos Estados Unidos — e Nancy Pelosi — deputada e presidente da Câmara dos Representantes norte-americana — também têm roubado a cena na política americana.

Em comum, as expoentes do movimento feminino — que confirmaram ou não uma candidatura às eleições em 2020 — apresentam a filiação ao Partido Democrata, opositor de Donald Trump.

“Historicamente, as mulheres demonstram maior identificação com a agenda democrata. Há pesquisas mostrando que aproximadamente 52% das mulheres tendem a apoiar o Partido Democrata enquanto, entre os homens, o índice é de 44%. Isso acontece porque as causas da legenda são mais alinhadas às pautas femininas — eles defendem igualdade salarial para homens e mulheres, direitos reprodutivos e etc.”, pondera Débora Prado.

Para a pesquisadora, o grande desafio para as que pretendem desafiar Trump em 2020 é compreender as diversidades dentro do eleitorado feminino. “Não podemos colocar as mulheres ou entendê-las como um grupo coeso. Se, em 2016, havia Hillary Clinton se identificando como a escolha para as mulheres, agora temos mais de cinco concorrentes que precisam gerar alguma identificação além da questão de gênero. Há recortes de raça e classe também muito importantes”, conclui.

R7


Bolsonaro faz visita à CIA em evento fora da agenda oficial

Bolsonaro faz visita à CIA em evento fora da agenda oficial

Hall de entrada da Central Intelligence Agency (CIA) (Foto: Reprodução)

WASHINGTON (Reuters) – O presidente Jair Bolsonaro programou uma visita na manhã desta segunda-feira à sede da Agência Central de Inteligência norte-americana (CIA), em Washington, um evento que não constava da agenda oficial da viagem à capital norte-americana.

A visita foi revelada pelo filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), em sua conta no Twitter.

Até a noite de domingo, quando questionados sobre a agenda do presidente na manhã desta segunda-feira, assessores da Presidência —inclusive o porta-voz, general Otávio Rego Barros— alegavam se tratar de agenda privada. Ao conversar com jornalistas na noite de domingo, Rego Barros afirmou que a agenda era privada e seria informada quando fosse possível.

EUA: Bolsonaro tem reuniões com ex-secretário do Tesouro e empresários

EUA: Bolsonaro tem reuniões com ex-secretário do Tesouro e empresários

Presidente da República Jair Bolsonaro, desembarca na Base Aérea de Andrews. (Foto: Isac Nóbrega/PR )

Em Washington (EUA), o presidente  Jair Bolsonaro tem reuniões hoje (18) com o ex-secretário do Tesouro norte-americano Henry “Hank” Paulson, participa de cerimônia de assinatura de atos e janta com executivos do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos. É a primeira viagem internacional com caráter bilateral. Antes, o presidente foi a Davos, na Suíça, para o Forum Econômico Mundial.

Às 15h30, Bolsonaro se reúne com Henry “Hank” Paulson. No final da tarde, participa da cerimônia de assinatura de atos. As atenções estão voltadas para o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas entre o Brasil e os Estados Unidos.

A medida permitirá o uso comercial da Base de Lançamentos Aeroespaciais de Alcântara (MA). Estima-se que, em todo o mundo, exista uma média de 42 lançamentos comerciais de satélites por ano.

Blair House

O presidente da República está hospedado na Blair House, um palácio no qual ficam os convidados do governo norte-americano.  A construção, de meados do século XIX, fica próxima à Casa Branca.

O prédio foi comprado em 1942 pelo governo dos Estados Unidos e tornou-se um complexo formado por quatro casas interligadas, incluindo o edifício original.

Amanhã (19) está previsto o encontro de Bolsonaro com o presidente Donald Trump. Haverá uma declaração à imprensa no Rose Garden. Em seguida, ele irá ao cemitério de Arlington.

Bolsonaro deve chegar a Brasília na quarta-feira (20). Em seguida, no dia 21, irá para o Chile onde participa da Cúpula do Prosur, grupo que se destina a implementar medidas de interesse dos países da América do Sul.

Bolsonaro chega aos Estados Unidos em busca de parcerias

Bolsonaro chega aos Estados Unidos em busca de parcerias


O presidente Jair Bolsonaro disse, em sua conta no Twitter, que sua visita aos Estados Unidos representa o começo de uma parceria pela “liberdade e prosperidade”. Bolsonaro já posou neste domingo (17) na Base Aérea de Andrews, em Washington.

“Pela primeira vez em muito tempo, um presidente brasileiro que não é anti-americano chega a Washington. É o começo de uma parceria pela liberdade e prosperidade, como os brasileiros sempre desejaram”, afirmou na rede social.

O avião presidencial decolou da Base Aérea de Brasília por volta das 8h de hoje (17). Antes do embarque, Bolsonaro transmitiu o cargo ao vice Hamilton Mourão. O presidente brasileiro ficará hospedado na Blair House, palácio que faz parte do complexo da Casa Branca.

“Nos hospedaremos na Blair House. É uma honraria concedida a pouquíssimos chefes de Estado, além de não custar um centavo aos cofres públicos. Agradecemos ao governo americano a todo respeito e carinho que nos está sendo dado”, acrescentou.

Ainda segundo o presidente brasileiro, Brasil e Estados Unidos “juntos assustam os defensores do atraso e da tirania ao redor do mundo”.

Bolsonaro e o presidente norte-americano Donald Trump devem assinar na próxima terça-feira (19) o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas entre o Brasil e os Estados Unidos. A medida vai permitir o uso comercial da base de lançamentos aeroespaciais de Alcântara, no Maranhão. Estima-se que, em todo o mundo, ocorra uma média de 42 lançamentos comerciais de satélites por ano.

A Base de Alcântara é reconhecida internacionalmente como ponto estratégico para o lançamento de foguetes, por estar localizada em latitude privilegiada na zona equatorial, o que permite uso máximo da rotação da Terra para impulsionar os lançamentos.

Segundo a Agência Espacial Brasileira (AEB), o uso da base brasileira pode significar uma redução de 30% na utilização de combustível, em comparação a outros locais de lançamentos em latitudes mais elevadas.

Integram a comitiva brasileira os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Paulo Guedes (Economia), Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Tereza Cristina (Agricultura) e Ricardo Salles (Meio Ambiente), além do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Agencia Brasil

Acordo com EUA para uso de Alcântara coloca país em mercado bilionário

Acordo com EUA para uso de Alcântara coloca país em mercado bilionário

Expectativa da CNI é aumento de negócios no setor de satélites

Presidente segue hoje para os Estados Unidos – Antonio Cruz/Agência Brasil

O presidente  Jair Bolsonaro deve assinar na próxima terça-feira (19), em Washington, o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas entre Brasil e Estados Unidos, ao lado do presidente norte-americano Donald Trump. A medida permitirá o uso comercial da base de lançamentos aeroespaciais de Alcântara (MA). Estima-se que, em todo o mundo, exista uma média de 42 lançamentos comerciais de satélites por ano.

Esse mercado movimentou, apenas em 2017, cerca de US$ 3 bilhões, um crescimento de mais de 16% em relação ao ano anterior, segundo dados da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos.

“O Brasil vai entrar no mercado de lançamento de satélites. Há anos, o Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos aguarda o acordo de salvaguardas com os americanos. Nossa expectativa é de que passaremos a exportar serviços relacionados a essa indústria”, afirmou o gerente-executivo de Assuntos Internacionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Diego Bonomo.

A Base de Alcântara é internacionalmente reconhecida como um ponto estratégico para o lançamento de foguetes, por estar localizada em latitude privilegiada na zona equatorial, o que permite uso máximo da rotação da Terra para impulsionar os lançamentos. Segundo a Agência Espacial Brasileira (AEB), o uso do local pode significar uma redução de 30% no uso de combustível, em comparação a outros locais de lançamentos em latitudes mais elevadas.

A partida do presidente para os Estados Unidos está marcada para as 8h de hoje (17), na Base Aérea de Brasília. Acompanhado de seis ministros, Bolsonaro deve chegar a Washington às 16h (horário local). O presidente ficará hospedado na Blair House, palácio que faz parte do complexo da Casa Branca.

A comitiva brasileira será integrada pelos ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Paulo Guedes (Economia), Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Tereza Cristina (Agricultura) e Ricardo Salles (Meio Ambiente), além do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Livre Comércio

O setor empresarial brasileiro também vê com muita expectativa a reaproximação entre os dois países. Segundo principal destino das exportações do Brasil, atrás apenas da China, os Estados Unidos ocupam a primeira posição no quesito de compras de produtos industrializados.

O mercado norte-americano é também onde o Brasil tem o maior número de empresas no exterior. Cerca de 21% de todo o investimento estrangeiro no Brasil também provém de empresas estadunidenses.

O que falta, ainda, segundo os empresários, são acordos comerciais mais amplos. “Tem uma defasagem entre a dinâmica empresarial, que é forte entre os dois países, e as ações do governo. O que não temos ainda são acordos entre os dois governos para potencializar essa relação”, explica Diego Bonomo.

Na última década, conforme Bonomo, houve acordos de patentes (2015),  de céus abertos, que entrou em vigor no ano passado, liberando a operação de voos comerciais entre os dois países, além do acordo previdenciário, também de 2018, que passou a legalizar a contagem de tempo e de contribuição para aposentadoria e recebimento de outros benefícios da Previdência de cidadãos brasileiros que vivem nos EUA e vice-versa.

“São acordos importantes, mas que não têm um impacto econômico assim tão grande”, afirmou. Em pesquisa recente, a CNI mostrou que pelo menos 134 grupos de produtos brasileiros poderiam ser beneficiados com um acordo de livre comércio com os Estados Unidos que reduzisse ou zerasse as tarifas de importação entre os dois países.

A pauta empresarial também inclui o desejo por um acordo para evitar a dupla tributação (ADT) de produtos e serviços comercializados entre os dois países, bem como remessa de lucros e dividendos, além de um acordo de cooperação para facilitação de investimentos (ACFI), que prevê medidas para aumentar a segurança jurídica dos negócios bilaterais.

Janela de oportunidade

Os gestos de aproximação entre Bolsonaro e Trump são vistos como uma oportunidade de destravar acordos mais ambiciosos entre os dois países.

“Vamos ver o que vai sair na declaração conjunta entre os dois, porque isso é o que vai determinar e ditar o ritmo da relação pelos próximos 6 a 12 meses. Ano que vem tem eleições presidenciais nos EUA, então é importante aproveitar ao máximo essa janela de oportunidade de aproximação política entre os dois países”, avaliou Bonomo.

O gerente de assuntos internacionais da CNI destacou que o atual presidente dos EUA nem precisa de autorização do Congresso para negociar acordos comerciais com outros países, já que a Autorização para a Promoção de Comércio (TDA, na sigla em inglês) foi aprovada pelo Legislativo do país ainda na gestão de Barack Obama, e tem validade até 2021.

“Se a gente quiser ter essa ambição e lançar a negociação com eles, o Trump nem depende do Congresso dos EUA e pode deslanchar esse processo”, destacou. 

Agência Brasil